O caminho que percorri até (re)encontrar o Jornalismo
By Maria Moreira Rato - junho 18, 2017
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| Sim, aquilo azul lá ao fundo é a televisão! Os meios de comunicação estiveram sempre presentes na minha vida, ahah! |
Mas a Maria levantou-se e foi para o sofá e quis saber aquilo que se estava a passar. Minutos depois, ouviu outro estrondo e uma coisa enorme explodiu. Ela não sabia que aquela era a Torre Sul do World Trade Center, a desaparecer alvo de um ataque, após a primeira, a norte, ter sido igualmente engolida por um avião. Nessa semana, no infantário, tentou rabiscar duas torres a preto e pediu a uma das suas educadoras preferidas que escrevesse: "Aconteceu uma coisa horrível em Nova Iorque".
Quase dois anos depois, a cobertura mediática da Guerra do Iraque, também conhecida por Segunda Guerra do Golfo, despertou a atenção de uma criança a poucos meses de completar seis anos. Ela adorava dançar ballet na creche e saltar para o banco que lhe dava acesso à nespereira daquela instituição. Quando chegava a casa, ouvia falar de Saddam Hussein, da guerra civil, dos Estados Unidos e da insurgência iraquiana e perguntava à avó e ao tio o que é que se tinha passado, ao que eles respondiam: "És demasiado pequena para perceber", mas nunca se negavam a tentar explicar-lhe tudo numa linguagem pueril e simples.
Na escola primária, a Maria achava piada à maioria das aulas e até gostou de fazer parte da Brigada Ecológica, que se baseava numa equipa de meninos e meninas que apanhavam lixo no recreio e tentavam sensibilizar as turmas para que não deitassem os pacotes, lenços de papel e outras porcarias para o chão. No entanto, eram as aulas de Inglês e de Língua Portuguesa que a fascinavam mais. Lá, dava asas à sua imaginação e para além de aprender a conjugar verbos e formar frases coerentes, escrevia textos: uns fracos, outros que surpreendiam os professores, alguns que os próprios colegas não entendiam e que ela também não. Mas continuou a escrever.
Quando decorava e declamava poemas aos amigos da sua avó, pela rua fora ou nos cafés ou escreveu o texto sobre o dia mais feliz da sua vida, isto é, quando conheceu a sua tia materna, sempre ouviu elogios como: "És mesmo das letras, miúda!". Mas a Maria duvidava de que raio era e foi para o 5º ano a achar que queria ser professora de Matemática e arqueóloga. Nesse ano de 2007, conheceu uma professora de História e Geografia de Portugal que modificou a sua vida e que fundou o Clube de Jornalismo da escola que frequentava. A rapariga que era conhecida por ser uma aluna empenhada decidiu aventurar-se com alguns amigos, inclusivamente, uma das melhores amigas que tem até hoje, a Inês, Nocas, como gosta de lhe chamar, e começou por escrever um pequeno artigo acerca de dicas para realizar um estudo eficiente. Nos meses seguintes, entrevistou alunos, o Diretor da escola e até andou a pedinchar cinquenta cêntimos às funcionárias da cantina, aos senhores que cortavam a relva ao pé do pavilhão de Educação Física... "Vá lá, é para O Arquinho!". No final do ano, captámos a atenção de um querido mecenas (ahah, adoro este termo, peço desculpa) anónimo que nos ofereceu um gravador e ainda apadrinhámos um Panda Vermelho no Jardim Zoológico com uma quantia que ganhámos ao vender as várias edições que fomos vendendo.
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| Parece que me saí bem...! |
"Maria, escreveste isto ou estás a enganar-me e tiraste tudo da Internet?" - sim, esta foi a reação da minha avó quando lhe mostrei alguns textos que escrevi no verão em que completei catorze anos. Para que ela acreditasse em mim, pedi-lhe que me dissesse uma palavra, que eu escreveria algo para ela. E assim o fiz e ela passou alguns dias incrédula. Sinceramente, não estou a escrever isto para que pensem: "Wow, ou ela escreve muito bem mesmo ou está a armar-se", mas sim para que compreendam que escrever sempre foi a minha paixão.
Entre concursos de literatura em que fiquei em 1º e 2º lugar, textos publicados no jornal local e na publicação de um escritor que admiro e conversas com professores acerca do meu futuro, chegou a altura que temia: a dos testes psicotécnicos e do diálogo privado com a psicóloga que nos tinha vindo a acompanhar no 9º ano. "Tens de ir para Ciências e Tecnologias. Não percebes que tens notas excelentes e todos os teus colegas que também são bons alunos vão para este curso?", ignorei-a trezentas vezes, disse seiscentas que iria para Línguas e Humanidades e ela nunca mais me falou. Aliás, nem sequer me auxiliou a preencher a ficha de candidatura ao curso e à escola, mas não me preocupei.
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| Tive de vos presentear com uma foto tirada do meu Instagram, onde se encontra resumida uma sessão de estudo pré-exame de História A do 12º ano. |
Mudei para a escola ao lado, a minha turma mudou quase a 180º e para quem ia com o sonho de ter Literatura Portuguesa e Francês continuação como opções de 10º e 11º anos e ficou com Geografia A e Espanhol Iniciação, as coisas não começaram da forma mais feliz. Mas Geografia revelou ser um desafio interessante e, Espanhol, uma pequena paixão. Também estudei Filosofia, uma disciplina que me cativou imensamente no 10º ano. Escusado será dizer que amei todas as obras "obrigatórias" de Português (excetuando o Memorial do Convento e assassinem-me se quiserem!). No 12º ano, escolhi Psicologia B e Sociologia e não me arrependo nem um só segundo.
Durante estes três anos que passei no Ensino Secundário, eram várias as licenciaturas que surgiam na minha mente: "Se calhar devo ir para Direito, porque A diz que tenho jeito para falar", "Acho que devo escolher Ciência Política, porque esse curso parece ser mesmo interessante...", "Não, se C diz que Relações Internacionais é melhor, escolho Ciência Política e Relações Internacionais", "E se for para o Porto tirar Criminologia? Vou tentar persuadir a minha mãe...", "Mas Jornalismo sempre foi o meu grande amor... Nunca o esqueci... Maria, D, E e F dizem que é um curso que não te levará a lado nenhum, esquece!".
O período das candidaturas ao Ensino Superior chegou e fui toda contente ao site da DGES colocar Jornalismo como 1ª opção, Línguas Literaturas e Culturas como 2ª e 3ª opções (na FLUL e na NOVA), Ciências da Cultura como 4ª, Psicologia como 5ª e Sociologia como 6ª. A minha opinião mudava constantemente e, como tínhamos x dias para alterar as opções, ia sempre fazendo modificações. Entrei em Ciências da Comunicação no ISCSP, na 1ª fase, em 2015.
Durante estes três anos que passei no Ensino Secundário, eram várias as licenciaturas que surgiam na minha mente: "Se calhar devo ir para Direito, porque A diz que tenho jeito para falar", "Acho que devo escolher Ciência Política, porque esse curso parece ser mesmo interessante...", "Não, se C diz que Relações Internacionais é melhor, escolho Ciência Política e Relações Internacionais", "E se for para o Porto tirar Criminologia? Vou tentar persuadir a minha mãe...", "Mas Jornalismo sempre foi o meu grande amor... Nunca o esqueci... Maria, D, E e F dizem que é um curso que não te levará a lado nenhum, esquece!".
O período das candidaturas ao Ensino Superior chegou e fui toda contente ao site da DGES colocar Jornalismo como 1ª opção, Línguas Literaturas e Culturas como 2ª e 3ª opções (na FLUL e na NOVA), Ciências da Cultura como 4ª, Psicologia como 5ª e Sociologia como 6ª. A minha opinião mudava constantemente e, como tínhamos x dias para alterar as opções, ia sempre fazendo modificações. Entrei em Ciências da Comunicação no ISCSP, na 1ª fase, em 2015.
Vivi uns dias de emoção total. Passava horas no Uniarea (obrigada pelos conselhos e por me aturares, Davis! O que seria de mim sem ti e sem esta comunidade incrível!?) a conversar com os meus amigos tão caloiros como eu, tão confusos como eu, tão intrigados como eu, tão desejosos de conhecer o mundo académico como eu! Na primeira segunda-feira oficial de aulas e praxe, cheguei ao Pólo Universitário da Ajuda e a desilusão iniciou-se Como se costuma dizer, não vale a pena lavar roupa suja em praça pública, mas devo admitir que, se soubesse o que sei hoje, JAMAIS teria entrado nesta faculdade. Acima de tudo, porque não se enquadra nos meus objetivos, nos meus gostos e escolhi a licenciatura apenas para agradar quem se encontrava em meu redor: "Bom, quero ser jornalista, mas Ciências da Comunicação é um curso mais abrangente, portanto, posso sempre escolher ser outra coisa qualquer e não ficam chateados". Acabei por passar horas às voltas num autocarro que ia até ao Bairro Padre Cruz porque não percebia nada de autocarros e tive uma epifania numa dessas viagens: voltaria ao início, voltaria a perseguir os meus sonhos: seguiria Jornalismo, mesmo sentindo que não tinha força suficiente para candidatar-me novamente, ir para outra faculdade, etc. Não tive tempo de ir à minha Escola Secundária pedir uma ficha ENES (onde constam os nossos dados pessoais, média, notas dos exames nacionais...) e o limite da candidatura aproximava-se a passos largos. Remexi nos documentos que tinha e encontrei uma ficha ENES que me tinham dado em algum tempo antes e, então, descobri que havia sido por engano. Ou seja, não havia necessitado dela mas, por acaso, emitiram-na e acabei por ter de a usar! Ainda dizem que as coisas acontecem por acaso...!
Cheguei à escola, muitas vezes conhecida por "ah, sim, aquele edifício que se vê da 2ª Circular, já sei!" e senti-me... Estranha. Não vos consigo explicar, mas um turbilhão de emoções era vivido pelo meu coração e as duas semanas que se haviam antecedido à minha entrada na Escola Superior de Comunicação Social não tinham sido fáceis. Mas fui-me ambientando, conhecendo pessoas boas, outras menos boas, algumas más, professores fantásticos e outros que abomino.
Apesar de tudo o que possa correr mal, pessimamente ou das falhas que possa cometer, sei que na ESCS, estou em casa. Quando me enfio no elevador e clico furiosamente no -2 para ir à JADE imprimir trabalhos e o Sr. Rui me recebe com um sorriso amável, estou em casa. Quando vou à biblioteca e percorro as estantes e vejo livros que despertam a minha atenção, estou em casa. Quando tenho aulas como Ateliê de Captação e Edição Audiovisual, Laboratório de Jornalismo III, Ateliê de Jornalismo Radiofónico ou Ateliê de Jornalismo Televisivo e sinto-me mesmo feliz por acordar nem que seja às 5h, sei que estou em casa. Quando passo horas na Redação Multimédia a editar reportagens no AVID e depois perco tudo, começo a tremer e chamo o Sr. Carlos e ele responde: "Da próxima vez, não podes ir fazer xixi, senão, a reportagem foge", sei que estou em casa. Quando olho para a ESCS MAGAZINE e sinto um orgulho enorme por ser diretora de uma revista que é definitivamente aquilo que toda a gente procura, sei que estou em casa.
Sei que estou em casa porque há anos que passava de carro pela ESCS com a minha mãe e dizia: "Olha, um dia vou estudar ali!". Sabia-o TÃO BEM, só não queria ver.
Apesar de tudo o que possa correr mal, pessimamente ou das falhas que possa cometer, sei que na ESCS, estou em casa. Quando me enfio no elevador e clico furiosamente no -2 para ir à JADE imprimir trabalhos e o Sr. Rui me recebe com um sorriso amável, estou em casa. Quando vou à biblioteca e percorro as estantes e vejo livros que despertam a minha atenção, estou em casa. Quando tenho aulas como Ateliê de Captação e Edição Audiovisual, Laboratório de Jornalismo III, Ateliê de Jornalismo Radiofónico ou Ateliê de Jornalismo Televisivo e sinto-me mesmo feliz por acordar nem que seja às 5h, sei que estou em casa. Quando passo horas na Redação Multimédia a editar reportagens no AVID e depois perco tudo, começo a tremer e chamo o Sr. Carlos e ele responde: "Da próxima vez, não podes ir fazer xixi, senão, a reportagem foge", sei que estou em casa. Quando olho para a ESCS MAGAZINE e sinto um orgulho enorme por ser diretora de uma revista que é definitivamente aquilo que toda a gente procura, sei que estou em casa.
Sei que estou em casa porque há anos que passava de carro pela ESCS com a minha mãe e dizia: "Olha, um dia vou estudar ali!". Sabia-o TÃO BEM, só não queria ver.
Espero que tenham gostado deste post e que encontrem a vossa vocação! :) Se isso ainda não aconteceu, nada de desesperar, têm tempo para pensar com calma e decidir! :D


