Rubrica: É hoje que conheço melhor... Davis Gouveia

By Maria Moreira Rato - junho 08, 2018

Se há coisa que a Geração Z aprecia é o acesso fácil e rápido à informação. Estes nativos digitais nascidos entre o início de 1990 e 2000, estão familiarizados com a Internet e não necessitam que ninguém lhes explique nada. Bom, quase nada. A verdade é que com o desemprego, a precariedade e a insegurança a dominarem estes jovens, principalmente num país que sofreu uma crise recente, é necessário que exista uma plataforma onde alguém esteja disponível para compreender quem muitas das vezes aparenta estar sem rumo e duvidar do futuro.
O Uniarea, numa linguagem totalmente próxima do público mais novo mas com um rigor e uma qualidade inquestionáveis, prima pela divulgação de conteúdos relativos aos ensinos Secundário e Superior portugueses. Mas, quem é que se encontra por detrás do site que já conta com mais de 53.000 membros? Está na hora de conhecermos melhor o Davis Gouveia.

Davis Gouveia / Foto de Maria Moreira Rato

Aos 18 anos, trocaste a ilha da Madeira por Lisboa para estudar Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico. É correto dizer que percebeste que estavas no sítio errado quando ingressaste na JUNITEC (Júnior Empresas do Instituto Superior Técnico)?




Em 2006, juntaste-te à equipa do Exames.org, aquele que viria a ser um dos portais de educação mais visitados em Portugal até 2011. Foi aí que se iniciou a tua paixão pela área do ensino?


Davis Gouveia (DG): Sim, porque constituiu o meu primeiro contacto com o universo da educação. Ainda nem tinha entrado na faculdade quando descobri o projeto e comecei a ajudar os membros. Ao fim de dois meses, tornei-me administrador do site e fui entendendo que o meu interesse por esta área começava a aumentar, bem como o conhecimento adquirido.


Jade Portugal (Federação Portuguesa de Júnior Empresas), Kairos Society (que aposta no desenvolvimento de skills de liderança entre estudantes de todos os continentes), Startup Pirates Lisbon, Daring Project – estes são apenas alguns dos projetos em que estiveste ou estás envolvido. Consideras que o teu objetivo fulcral é ajudar os outros a potenciar as suas capacidades?

DG: Essa é uma boa questão. Acho que muitas das iniciativas em que me envolvi têm como principal missão ajudar as pessoas a descobrir o seu caminho, potenciar as suas valências e forças. No Uniarea, mais no lado da educação, mas noutros projetos em que trabalhei, explorei o empreendedorismo e incentivei as pessoas a desenvolverem as suas ideias. Por isso, sem dúvida que auxiliar os outros é uma das minhas tarefas preferidas, por assim dizer.


Em 2014, criaste o Uniarea, que muitos definem como o “renascimento do Exames.org” mas que preferes encarar como “uma referência para os atuais e futuros estudantes do Ensino Superior”. O que sentes ao pensar que auxilias os jovens a tomar decisões mais conscientes e acertadas?

DG: Quando o Uniarea nasceu, o Exames.org ainda existia - sendo que desapareceu no mês em que o site atual foi lançado, embora o seu término não esteja relacionado com este novo projeto, foi uma infeliz coincidência - mas sem dúvida que o Uniarea acabou por assumir o espaço que ficou vazio com o fim do Exames.org - sendo que, hoje em dia, creio que vai um bocadinho além e julgo que toda a comunidade sente que a equipa existe para os ajudar e é isso que leva a um envolvimento tão grande, seja através da redação de artigos ou da entreajuda no fórum. Este espírito de comunidade, em que uma pessoa é ajudada hoje mas amanhã ajuda o próximo, faz o Uniarea crescer e atingir um patamar cada vez mais elevado.


Para a maioria dos membros integrantes da comunidade Uniarea, não és o CEO nem a pessoa que se encontra no topo da hierarquia do site: veem-te como um amigo a quem podem recorrer nos piores mas também nos melhores momentos. Dirias que a proximidade que estabeleces com os membros é essencial para o sucesso do Uniarea?

DG: Sim, porque uma das grandes diferenças entre o Uniarea e os projetos que já existiam (e que ainda existem) nesta área, é o facto de sempre nos termos posicionado de uma forma bilateral: não nos limitamos a divulgar a informação e a pedir aos visitantes que a leiam; pelo contrário, incentivamo-los a partilharem a sua opinião. A integração que promovemos diariamente acaba por ser o segredo para o nosso sucesso.


Na 2ª Edição dos Prémios Blogs do Ano, em 2017, o Uniarea arrecadou o prémio de melhor e mais influente site de Educação em Portugal. Acreditas que esta foi a recompensa de anos de empenho “com vista à realização pessoal e concretização dos sonhos” dos estudantes portugueses?

DG: Sem dúvida. Algumas pessoas não têm noção do trabalho que que o site exige, desde a sua manutenção, à criação de uma comunidade, passando pela gestão das nossas redes sociais. Hoje em dia, esclarecemos dúvidas que nos são colocadas via e-mail, por mensagens privadas, no Twitter, no Instagram, no Facebook e temos de estar sempre prontos a responder às mais variadas questões. Estamos ligados aos alunos, aos pais, aos professores, aos funcionários das escolas... Ou seja, este prémio acabou por ser o culminar de um reconhecimento mais público e não tão pontual e inserido na comunidade educativa.


Numa época em que se fala de empreendedorismo e de inovação com uma naturalidade quase desconcertante, o que significam estes conceitos para ti?

DG: Neste momento, estes conceitos tornaram-se clichés - temas que andaram muito na crista da onda - e começou a existir muito fumo sem fogo. Mais vale falar dos temas mesmo que não seja da forma mais acertada do que ignorá-lo e nem sequer o incluir nos planos curriculares das universidades. Atualmente, não se aborda só o empreendedorismo na vertente empresarial mas em toda uma panóplia de licenciaturas - portanto, é positivo que o empreendedorismo e a inovação não sejam desconhecidos e o caminho que se faz, de os explorar, é um caminho de aprendizagem que se irá aperfeiçoar e afinar.


Quem te segue nas redes sociais, sabe que geres uma startup, és “quase engenheiro”, sonhador e apaixonado por educação, empreendedorismo e tecnologia. Mas quem é o Davis Gouveia fora dos holofotes?

DG: Obviamente que tenho muito cuidado ao partilhar seja o que for nas redes sociais, até porque a maioria dos meus seguidores é uma camada jovem, bem como possíveis clientes e parceiros. Para além daquilo que mostro na Internet, sou um rapaz muito simples que nasceu na Venezuela, cresceu na Madeira e que todos os dias tenta ajudar as pessoas a trilharem o seu caminho.


“Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better” – esta citação do escritor irlandês Samuel Beckett é o teu lema de vida. Podemos assumir que é também a tua receita para a liderança?

DG: Acho que sim, porque é essencial que tentemos fazer coisas mesmo que não aconteçam como planeámos. Mais vale tentar, falhar e afinar aquilo que correu menos bem que ficar de braços cruzados e questionar mais tarde "Será que devia ter feito isto?".


Que projetos tens alinhavados para o futuro?

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