Quando o fim parece não estar assim tão próximo

By Maria Moreira Rato - janeiro 26, 2018

  





  Não é novidade que me encontro no último ano da licenciatura em Jornalismo. Talvez seja novidade que vou fazer várias cadeiras por recurso. Pensando bem, e acima de tudo, constatando alguns factos, os recursos não constituem algo recente para mim: faço-os desde o início da licenciatura, mas mais frequentemente com o rótulo de "melhorias". Porque não chumbava a cadeiras, simplesmente sentia-me frustrada com as notas que obtinha e decidia abdicar das minhas férias.
  Este ano, tudo foi diferente e não me orgulho disso. Nem sequer me orgulho de estar a falar disto num blogue onde me comprometi a escrever apenas sobre jornalismo em termos técnicos e de realização, contudo, há alturas em que sinto que as palavras são a única forma de expressar aquilo que acontece nesta minha mente bastante conturbada.
  No 1º semestre deste 3º ano, tive quatro unidades curriculares obrigatórias e duas opcionais. Como pessoa ansiosa que sou, ainda estava no 2º ano e já "perdia" horas com grandes debates, que passavam por coisas como: "Será que devo escolher Técnicas de Entrevista? Mas quero fazer Reportagem Televisiva... Bom, esse par de disciplinas parece bom, mas por aquilo que conheço de Jornalismo Literário, parece ser a escolha mais acertada...!". Entre longas conversas com alunos que haviam passado pelas quatro opcionais que tínhamos à nossa disposição, escolhi Jornalismo Literário e Ateliê de Reportagem TV.
  Deixem-me tentar tecer comentários acerca destas minhas escolhas: desde o primeiro dia, apaixonei-me por Jornalismo Literário; não só por ter tido como professor o fantástico Paulo Moura, mas também porque tive a oportunidade de conhecer autores como o Truman Capote, que me fascinaram e ficarão para sempre neste meu coração repleto de estantes (juro). Quanto a TV, não fui a muitas aulas, mas a professora Ana Leal (sim, uma das maiores jornalistas de investigação deste país, leram bem!) disponibilizou-se para me auxiliar desde o primeiro minuto, até quando prejudiquei o meu grupo de trabalho e abandonei o mesmo a meio por não conseguir corresponder às expetativas nem aos horários de captação de imagem.



O meu pequeno grande cantinho de trabalho.


  
  Quanto às disciplinas "das quais não pude fugir", não sei se tenho um conhecimento suficientemente consolidado daquilo que aconteceu nas aulas, mas por aquilo que entendi: poderia ter aprendido muito em Jornalismo Visual (e agora, os meus colegas percebem de edição de imagem à brava e de outras coisas de que nem sequer ouvi falar), só associo o Atavist e pouco mais a Jornalismo Multiplataforma (quando, certamente, existem milhares de elementos que devia dominar), se alguém mencionar Sistema dos Media, direi imediatamente que só percebo de rácios, demonstração de resultados e balanços (é a mais pura das verdades) e relativamente a Comunicação Intercultural... pois, estou a ler os textos e a criar os intitulados quadros de sentido progressivamente.
  Creio que, a esta altura, devem questionar-se: "Ok... Mas, Maria, por que raio estás a manchar o teu percurso académico no último ano da licenciatura? Custava-te assim tanto ir às aulas, fazer uns testes e uns trabalhos?". É óbvio que não me custava, porque posso ser muito preguiçosa por vezes, mas sempre prezei a assiduidade e o respeito por quem acorda todos os dias com o objetivo de nos ensinar.
  A questão que se coloca é uma que não queria revelar, pelo menos, não num blogue (lá estou eu a repetir-me, não é verdade?). É o facto de ter sido cuidadora da minha avó, que se encontra com alzheimer, até há cerca de duas semanas. E acreditem, quando tinha tempo livre, a última coisa que me apetecia fazer era pegar numa sebenta e entender as frases mais relevantes ou decorar informação. Aliás, dirigir a ESCS MAGAZINE, escrever artigos e tentar não falhar em Jornalismo Literário e Sistema dos Media já me custou horrores, portanto...
  Porque entre fraldas, banhos, sopas pouco aquecidas e outras demasiado quentes, copos de água entornados, dinheiro escondido, sujidade em sítios inimagináveis, gritos e súplicas semelhantes a "Maria, Maria, vem cá"... só me apetecia dormir quando a minha avó me dava descanso.
  Tudo isto não corresponde a um post de autocomiseração e/ou de vitimização, mas sim a um desabafo. Em dias como este, em que choro por pensar que não conseguirei estudar, que não tenho talento suficiente para realizar uma reportagem televisiva sozinha ou para entregar um ensaio fotográfico decente, tento acalmar-me e consciencializar-me de que o fim pode parecer longínquo, mas não por falta de vontade. Apesar dos obstáculos, pretendo que o fim pareça cada vez mais próximo e darei tudo para que tal aconteça!

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3 comentários

  1. Entendo isto de a vida nos pregar partidas às vezes, não da mesma maneira, mas quase quase...
    Olha querida se há coisa que tenho aprendido é que se nós passamos por coisas más, é porque estão a preparar melhores por vir*
    Não deixes de acreditar <3

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  2. r: Fiquei muito feliz com o teu comentário, farei por continuar assim :)
    Volta sempre que quiseres, faço o mesmo contigo ;)

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  3. A vida... às vezes tem os seus próprios planos para nós... que nos desviam da direcção que gostaríamos de seguir... não te deves recriminar, pelas circunstâncias, Mia... até porque não dá para mudá-las, muitas das vezes... às vezes, há apenas que aguardar que melhores dias cheguem... para prosseguirmos na direcção desejada!...
    A vida, é isto mesmo... um esforço de adaptação constante às contrariedades da vida... tentando tirar o melhor partido, dos momentos menos maus!...
    As grandes lições de vida... nunca se aprendem em caminhos sem obstáculos!...
    As circunstâncias passadas com a tua avó, dar-te-ão uma perspectiva de humanidade e da vida... que dificilmente, aprenderias em qualquer faculdade... e que te pode ser muito útil... até em matéria jornalística... imagina que algum dia, precisas de escrever sobre um caso assim... tu melhor do que ninguém estarás habilitada para isso... e quando a gente sente realmente o que escreve... talvez até se esteja habilitado a passar da área do jornalismo.... que descreve... para a área da escrita... que sente... e se envolve, naquilo que nos transmite...
    Nada é por acaso, nesta vida, Mia... e tudo o que nos vai acontecendo... vai tendo o seu propósito... ainda que no imediato, nem sem sempre o consigamos descortinar...
    Beijinho! Não percebi bem, se a tua avó foi internada, ou não... apenas que já não estará ao teu cuidado... mas gostava de saber dela!...
    Tudo a correr pelo melhor, são os meus votos!
    Ana

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