Rubrica: É hoje que conheço melhor... Pedro Miguel Coelho

By Maria Moreira Rato - maio 21, 2017


Fotografia: Maria Moreira Rato


  Há pessoas que não constam da minha lista oficial, digamos assim, de personalidades que quero entrevistar antes de terminar a licenciatura. Esse é o caso do Pedro Miguel Coelho, mas a verdade é que isso não significa nada, e espero que ele tenha consciência de que o admiro imenso. Aliás, sempre o admirei e quando tive oportunidade de o conhecer na última edição da Futurália, percebi de imediato que é exatamente como imaginara: simpático, direto e inteligente.
  Na passada sexta-feira, rumei à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, onde o Pedro se licenciou em Ciências da Comunicação há precisamente cinco anos e, atualmente, trabalha no Gabinete de Apoio ao Aluno e ao Candidato.
  Quando cheguei ao número 26 da Avenida de Berna, deparei-me com um mural gigante em que Salgueiro Maia, capitão de abril, ganhou o merecido destaque (na minha opinião). Senti-me logo inspirada para fazer mais perguntas ao Pedro, que desceu da famosa Torre B e veio ter comigo. Ainda que só tivéssemos conversado pessoalmente uma vez, o constrangimento não se instalou, porque o jovem que fundou o Espalha-Factosórgão digital de comunicação focado na cultura e no entretenimento com apenas 14 anos, sabe comunicar no verdadeiro significado da palavra.
  Fomos até ao denominado Jardim de Inverno da faculdade e, lá, consegui fazer o Pedro refletir, rir e até contar-me alguns episódios peculiares da sua vida.


  Em 2005, apenas com 14 anos, criaste o Espalha-Factos. Quais foram as tuas motivações para iniciar este projeto?

  A minha grande motivação na altura era fazer um programa de rádio e, juntamente com outras pessoas, lancei um magazine de 30 minutos, intitulado Espalha-Factos. Eu tinha tempo livre, sentia que havia um espaço para ocupar, que não havia nenhum programa de rádio sobre cultura que fosse focado nos mais jovens, e tendo 14 anos e sentindo que havia esse espaço, decidi criar o programa de rádio.
  O programa correu bem e quando nós o lançámos, fiz oito emissões, gravadas ao sábado e emitidas ao domingo, e aquilo começou a correr bem, os ouvintes gostaram, a rádio sentiu que havia audiência e acabou por se transformar num programa semanal com duas horas de duração. Mais tarde, já no verão de 2009, achei que todo o trabalho que tínhamos a preparar o programa, a escrever os guiões, as peças... poderia ser rentabilizado numa plataforma digital e lancei com algumas pessoas o site do Espalha-Factos.


  No Espalha-Factos, encontramos as secções de Cinema, TV & Media, Música, Palcos & Letras e Vida. Nutres um carinho especial por alguma delas?

  Eu escrevo mais para TV & Media, até porque eu sempre tive muito interesse pelos media e pela comunicação não só enquanto trabalho, enquanto jornalista, mas enquanto negócio, embora eu tenha um carinho igual por todas, na medida em que o projeto foi criado tendo em conta esta diversidade de temáticas - acho que é a grande distinção que ele tem em relação a outros projetos mais direcionados para a música, a televisão ou o cinema, porque o nosso junta um bocadinho de tudo.
  Inicialmente, as secções eram diferentes, tínhamos Cinema, Música, Rádio e Televisão: fomos percebendo que havia coisas que poderíamos abranger, como a dança e o teatro, e os editores e os redatores foram sempre contribuindo para esta definição de conteúdos trabalhados. Também percebemos que para trabalhar bem, tínhamos de definir bem os temas a explorar.


  Licenciaste-te em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa e realizaste a Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, no ISCTE. Pode dizer-se que comunicar é a tua maior paixão?





  Já foste Presidente da Associação de Estudantes da tua faculdade, tesoureiro na Rádio Zero, produziste conteúdos para o Palavras Ditas, trabalhaste na ZON e até como empregado de mesa. Consideras-te uma pessoa versátil?

  Sim. Considero-me uma pessoa versátil e que gosta de trabalhar. O meu avô dizia que eu gosto muito de dinheiro: não é necessariamente verdade, mas eu realmente gosto de ter a minha independência e desde cedo que isso para mim significou trabalhar. Se eu quero ser independente e fazer as coisas à minha maneira, não posso estar dependente dos outros. Sou autónomo e por isso é que já fiz tantas coisas e gostei de todas. 



  Desde 2014, integras o Gabinete de Apoio ao Aluno e ao Candidato da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Como é transmitir a missão e os valores da instituição onde estudaste aos futuros alunos?

  É fácil, porque para mim foi sempre muito fácil estar aqui, excetuando o primeiro mês, que não foi logo amor à primeira vista. Mas gostei do curso, do ambiente, das pessoas, da mentalidade independente e aberta da faculdade e por isso para mim foi muito fácil transmitir isso a futuros alunos. Até porque isto não constitui um trabalho de vendas, em que tenho de convencer as pessoas a vir estudar para a FCSH; eu digo sinceramente aquilo que é esta faculdade e as pessoas é que decidem ou não estudar aqui. Felizmente, a maioria das pessoas com quem tenho estado, identifica-se com esta maneira de ser e deseja pertencer a esta instituição.
  Agora estou com outras funções, mais ligadas aos antigos alunos, mas isso também é excelente, porque normalmente eles gostaram do seu percurso aqui e querem continuar ligados à faculdade.


  

  Curiosamente, no teu perfil do Facebook, podemos encontrar uma citação peculiar: “Aos outros perdoa sempre, a ti nunca”, de Sêneca. Costumas perdoar quem se encontra em teu redor e ser mais exigente contigo?



  

  
  O que significa estagiar na RTP? A televisão é o teu meio de comunicação predileto?

  Já tinha colaborado com a imprensa escrita, tenho um site, comecei por fazer rádio... Faltava-me a televisão. Para mim, a RTP é a imagem de informação credível em Portugal - isso foi sempre muito claro para mim.
  Queria ter esta experiência de estagiar em televisão e consegui. Até agora, estou a gostar muito. Antes disso, fiz uma formação de jornalismo televisivo com a Rita Marrafa de Carvalho e acabou por surgir esta hipótese de estagiar na RTP e isto significa estar perto de pessoas que cresci a admirar - estou numa casa que é uma das grandes escolas de jornalismo em Portugal. Claro que há as universidades, mas se refletirmos, grande parte dos jornalistas icónicos que conhecemos passou pela RTP e estar lá constitui uma aprendizagem gigante.

  

  O teu interesse pelo cenário político tanto nacional como internacional é notório. Gostarias de experimentar a vertente política do jornalismo?

  Trabalhei sempre mais em jornalismo cultural porque é mais fácil do que trabalhar noutro tipo de jornalismo em part-time: ou seja, é muito mais fácil ser jornalista "aos bocadinhos" no Espalha-Factos, sem essa ser a minha atividade principal, do que seria em política, em economia ou em internacional, que são temas que exigem uma dedicação total.
  Gosto muito de cultura, se aprendi alguma coisa nestes anos de experiência foi a fazer jornalismo cultural, mas se fizer jornalismo nos próximos anos terei muito mais interesse em trabalhar no internacional e na política, talvez por já estar a trabalhar em temas relacionados com a cultura há doze anos.
  Sempre adorei política, envolvi-me politicamente, fui Presidente da AEFCSH, da associação de estudantes da minha escola secundária... Desde cedo que me envolvi em causas políticas, não necessariamente partidárias.


  No perfil de Facebook do Espalha-Factos, podemos encontrar o seguinte: “O nosso maior foco é a produção cultural nacional, queremos divulgar novos talentos e apoiar iniciativas artísticas, criativas e inovadoras”. Pretendes continuar a comunicar para o público mais jovem?

  
  

  Na tua opinião, o Espalha-Factos tem o devido reconhecimento?

  Sim. O nosso principal objetivo foi sempre formar jornalistas, termos redatores que passam por lá, têm uma experiência benéfica e continuam a fazer outras coisas e seguem para o jornalismo ou passam para outras áreas.
  O grande reconhecimento que sinto que temos é que uma boa parte das pessoas que passou pelo Espalha-Factos hoje tem uma carreira consolidada no jornalismo - obviamente que não aprenderam tudo connosco, até porque foram para redações com jornalistas de grande qualidade que têm muito para lhes ensinar do que nós tínhamos, mas foi um começo e é nesse sentido que vejo o nosso projeto.
  Muitos agentes da indústria cultural, camaradas jornalistas até, congratulam-nos pelo Espalha-Factos e devo admitir que em 2005, com 14 anos, nunca imaginei chegar aqui.



  Como encaras o panorama atual do jornalismo, em Portugal? Para ti, quais são os aspetos que deveriam ser alterados e/ou melhorados nos órgãos de comunicação nacionais?





  A precariedade existente na maioria dos estágios jornalísticos não é um segredo. Como é que a encaras?



  

  Aos 26 anos, já chegaste muito longe e percorreste um extenso caminho repleto de peripécias, mas o que te falta fazer?

  Falta-me fazer imensas coisas, algumas das quais nem sei quais serão. Se me perguntassem, há dois anos, se achava que ia concorrer a um estágio na RTP ao mesmo tempo que ia estar a trabalhar sete horas por dia, nunca teria pensado que isso seria possível. Portanto, foi algo que me deu na cabeça e que decidi fazer. 
  O resto é igual: vão aparecer coisas que me desejarei fazer. Por exemplo, tenho a consciência de que me falta viajar muito, mas todas as outras coisas são imprevisíveis.
  Já fiz bastante, até porque tenho imensas histórias para contar, algumas bem engraçadas! Mas acho que vou ter sempre muitas e muitas mais, porque é isso que me mantém vivo, querer sempre fazer mais.

  • Share:

You Might Also Like

10 comentários

  1. Que era de mim sem os teus mimos exagerados, né?! :P

    São pessoas assim, autodidatas e que não ficam de braços cruzados à espera que as coisas caiam, que vale a pena ouvir falar!

    NEW DIY POST | DIY: Cinema Light Box (Easy Version)
    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

    ResponderEliminar
  2. Excelente trabalho Maria Moreira,
    Faço-te uma vénia!
    Parabéns.

    ResponderEliminar
  3. Excelente trabalho, como sempre! :)
    Se algum dia precisares de alguém para fotografar entrevistas, chama-me! :p


    A Sofia World
    Fifteen-Love

    ResponderEliminar
  4. É sempre bom ficar a saber mais alguma coisa sobre pessoas inspiradoras (=

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  5. Adorei a entrevista! É sempre bom conhecer jovens que não têem medo de arriscar e que lutam pelos seus sonhos!

    ResponderEliminar
  6. Esta ideia é demasiado boa! Parabéns, Maria! E que assim continue! ;)

    ResponderEliminar
  7. Olá Maria! E desculpa a ausência.
    Excelente entrevista.
    Há muitos desconhecidos com muita coisa boa para contar e muitas experiências para partilhar.
    Excelente trabalho. Parabéns!!

    Blogdiariodeumafamilianormal.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  8. Muito bem :) Continua assim :)

    r: Com vontade e esforço tudo se consegue.
    Não se vão aproveitar mais, porque não vou deixar.

    ResponderEliminar